A competição por si só, no entanto, não tem que se tornar patológica. A competição responde a uma necessidade intrínseca à condição humana: a necessidade do jogo, do lúdico, e da demarcação de um objectivo que nos impele a tornar melhores para o atingir. O caminho para a vitória é o mais importante, não a vitória em sim. Porque, nesse percurso, melhorámos qualquer coisa em nós. E não tem de ser comparável com outros, mas comparado comigo próprio, porque consigo hoje ser um pouco melhor que ontem. Talvez ainda um pouco metafísico, enfim...
Toda a gente sabe que sou extremamente competitiva. No entanto, o que me anima é que no caminho para a vitória eu tenha que me desafiar a mim própria, testar-me, explorar e conhecer os meus limites, tornar-me mais forte, sobretudo em termos anímicos ou psicológicos. Ainda para mais, tenho para sempre a frustração de adorar uma modalidade em que a altura é essencial e eu sou quase anã. Como ultrapassar isso? É um desafio que me agrada.
Não sou nenhuma madre teresa nem bastião de comportamento exemplar, mas acredito no respeito pelos adversários, pelos árbitros (pronto, esta nota-se menos, mas por razões emocionais e não racionais), pelas colegas e por todos os envolvidos. Aquilo que eu tenho vergonha de fazer, por considerar que ultrapassa os limites da combatividade e da competição saudável é: (embora nesta lista, obviamente, haja comportamentos mais condenáveis do que outros)
- Ir jogar fora de casa e tentar controlar o aquecimento: penso que deve ser a equipa da casa a tomar a iniciativa de ir trocando de zona de ataque,etc... tomar iniciativa só se for mesmo necessário. Uma questão de educação, e a carapuça serve bem a uma das equipas do nosso campeonato. Mas até admito que possa ser um preciosismo. Mas que é uma arrogância, é!
- Festejar os erros do adversário (faz parte da cultura do voleibol, e é visto como grosseiro p.e. no ténis), de facto é muito mais gostoso festejar os nossos sucessos.
- Tentar influenciar o jogo, procurando "enganar" o árbitro (fica difícil não cometer este, quando é prática corrente). Adoraria que todos ajudassem o árbitro nas decisões difíceis e eles também, certamente. No entanto, já aconteceu que após uma decisão errada, uma jogadora da equipa que era beneficiada com o erro tentar esclarecer o árbitro e este dizer que não podia voltar atrás. Assim complica, né?
- Jogar sem ser para ganhar.
Já aconteceu ter sido afastada de competições por acontecerem resultados estranhíssimos entre outras equipas. Não há nada mais frustrante.
- Provocar adversários ou treinadores com frases ou gestos alheios ao jogo para os perturbar psicologicamente (como ja me fizeram descaradamente num dos jogos deste ano);
- Ser agressiva... que me perdoe quem o faz, mas eu acho o UUUUUUUUUUUU do bloco extremamente grosseiro, "toma", "embrulha" e outros que tais, mas até aceito que possa ser "natural" do jogo, já me custa a aceitar que o mesmo se passe no aquecimento como aconteceu no último jogo (eu até posso festejar de forma exuberante, mas não me ouvem essas coisas, ou se ouvirem é uma das minhas cenas de palhaça... e num treino, não num jogo).
- Ir ver um jogo para ostensivamente puxar "contra" uma equipa como aconteceu este fim de semana com algumas jogadoras do Cascais que se deslocaram aos Maristas. Posso estar a ser injusta e legitimamente
Discutir com o árbitro, quando assumidamente temos dúvidas sobre a jogada em causa.
O que gosto que aconteça:
Festejar os pontos com a equipa, e não contra a outra. (eu sei que nem sempre faço isto, mas às vezes fica difícil resistir a tanta provocação). É muito bom o nosso abraço colectivo e ajuda a ligar-nos emocionalmente!
Ganhar o jogo a jogar: a servir, a receber, a passar e a atacar. Não é tão simples? Ganhar é gostoso e faz bem ao ego, mas em última instância, não é possível enganar-nos a nós próprios.
Usar de recursos periféricos em vez de jogar é, quanto a mim, fazer um pouco de batota. Logicamente que ao longo de 20 anos, eu aprendi todas as manhas, contudo, nenhum dos atletas que foi treinado por mim (muitos, muitos na formação, rapazitos que agora são uns homenzões) e as meninas seniores dos Maristas há 3 anos podem dizer que eu ensinei e incentivei essas manhas. Claro que fica difícil não as pôr em prática quando a outra equipa as começa a utilizar (ainda não consigo dar a outra face), mas racionalmente não acho que deva ser assim.
Espero honestamente que todas as quezílias mesquinhas e alguns dos comportamentos que referi, que aconteceram no passado, sejam esforçadamente evitados na final four, para que todos possamos realmente fazer aquilo que interessa, que é jogar voleibol no melhor das nossas capacidades. Até porque para jogarmos bem, precisamos de todos, colegas e adversárias.
E por último, espero que finalmente tenhamos 2 árbitros no jogo, como acontece no campeonato do Inatel, e que NUNCA acontece no nosso. Sei que o pagamento da minha inscrição não é suficiente, mas de qualquer forma, gostaria que a federação cumprisse a sua função de criar condições para uma competição justa. (Não esqueço o Jogo de Portimão, um dos piores da minha vida, mas provavelmente também para o árbitro (único) que teve de trabalhar em condições extremamente stressantes pela constante pressão do treinador do Portimão).
E já agora, uma vez que pode acontecer que este post seja também lido por dirigentes dos Maristas, porque não pedir a existência de fiscais de linha, que até podem ser recrutados nos cursos de árbitros que vão acontecendo? Provavelmente, árbitros "virgens" até podem ter interesse em se voluntariar... Seria tão bom! É que, realmente, quando vou para um jogo, eu não tenho intenção nenhuma de me zangar com os árbitros, mas não tem sido fácil, porque os enganos são mais que muitos. Para sermos justos, um dos principais problemas é mesmo o de arbitrarem sozinhos. Tenho dito! Espero que estas minhas solicitações não caiam em saco roto...
Ah! Para finalizar, mesmo assumindo que provavelmente sou uma das mais "temperamentais", gosto de jogar numa equipa que consegue manter uma postura correcta até ao máximo das suas capacidades. Porque a competição tem de ser connosco, com os nossos limites, e se valer tudo para ganhar, perde-se o mais importante, que é o respeito por nós mesmos. Desculpem o meu idealismo, mas é convicto.
Concordo com tudo o que disseste!!!
ResponderEliminarEu tenho orgulho na minha equipe!!! Porque estamos no campeonato (e na FINAL 4) porque gostamos de voleibol e o queremos jogar, de forma aguerrida, justa e principalmente FELIZ!!!
Se jogarmos o nosso jogo, puxarmos pela nossa equipe e não "contra a outra", se festejarmos os nossos pontos e não os erros dos outros (como a Mena disse), se jogarmos com cabeça e alegria, e principalmente se lutarmos UNIDAS, VAMOS LONGEEEE!!! EU SEI DISSO!!!
eheeh... BERRO!!!
Olá!
ResponderEliminarSei que não é vulgar isto acontecer mas de há um tempo para cá tenho vindo a ler o vosso blog.
Primeiro gostaria de vos dar os parabéns pela passagem à Final4.
Depois, enquanto pessoa ligada à arbitragem, tenho alguns esclarecimentos para vos fazer (talvez possam ser úteis).
No aquecimento, não há nada escrito sobre a forma como deve ser feito. As equipas decidem fazer aquecimento conjunto e gerem-no como quiserem, o árbitro só indica (por gentileza) quando passaram 4min e (por regulamento) os últimos 2min. Agora, há uma regra que diz que as equipas podem escolher aquecimento "separado". Caso queiram «picar» a equipa que controla os aquecimentos, é uma opção. Mas cuidado com o sorteio e a sequência do aquecimento (ler nas regras)!
No que diz respeito ao fair-play da equipa beneficiada com um "erro de arbitragem", se a equipa beneficiada esclarecer o árbitro e disser que realmente foi o contrário, o árbitro deve mudar a sua decisão, a não ser que tenha a certeza do que está a fazer. Esta «regra» apareceu há 2 anos atrás, salvo erro. Está claro que depende da consciência do árbitro e daquilo que ele viu.
Caso haja provocações da equipa adversária, devem ser ditas ao árbitro para que, no decorrer do jogo, esteja atento e confirmar se é verdade ou não (algo muito difícil quando se arbitra sozinho).
Todas as manifestações durante o jogo (UUUU, toma, embrulha) são conduta grosseira na escala de sanções. Se comunicadas, o árbitro poderá (tem de) interceder!
Quanto aos jogadores federados que estão a assistir a jogos...É uma questão muito difícil. Primeiro porque no pavilhão ADM é impossível ter a certeza seja do que for para a identificação da pessoa em questão (quando se arbitra sozinho). Depois, só se essas pessoas tiverem uma conduta ofensiva é que pode ser desencadeado um processo. Mas...tendo experiência nisto, nenhum árbitro vai fazer nenhum relatório sobre esses acontecimentos porque as sanções serão irrisórias, como sempre acontece nestes casos de ofensas verbais. O que poderá acontecer é que quando o mesmo árbitro arbitrar um jogo dessa equipa, nos momentos de dúvida, decida contra. E aí já está a justiça feita. Depende do árbitro!
Na Final4 terão de certeza 2 árbitros. Está tudo nas regras de nomeações, blablabla...
JUÍZES de linha é que é impossível. Nas regras de nomeação está escrito que só nas competições internacionais, final A1 feminina e jogos do campeonato A1 masculino é que se nomeiam juízes de linha. Infelizmente a cultura de arbitragem em Portugal não é das melhores (por variadíssimos factores) e não pode sequer haver 2árbitros por jogo, quanto mais 4, 6 ou 7. Contudo, o que já se tentou criar foi um quadro de marcadores por equipas, para que os jogos sejam mais rápidos e o árbitro não tenha de subir e descer do escadote de cada decisão menos anormal que aconteça durante o jogo.
Outra possibilidade seria fazer como no andebol, onde cada equipa inscrita tem de apresentar 2 árbitros para os jogos das camadas jovens. Que tal?
Mais uma vez parabéns pela passagem à fase seguinte e boa sorte!
Adorei o texto Mena, desenvolves tão bem as ideias! Sem duvida que esses tem que ser os nossos ideais e postura a manter em treino, em jogo e também na restante vida nao desportiva.
ResponderEliminar..agora é trabalhar e esperar por uma competição saudável na final4, ja chegaram os acontecimentos do jogo passado e dos últimos tempos.
Pelos vistos temos leitores exteriores assíduos, o que é bom, quanto à mensagem deixada, uma coisa me animou, a presença de 2 arbitros na final4, mas...ver para querer! obrigado pelo conteudo esclarecedor.
Acho que estamos mais crescidinhas como equipa!
Muito Obrigada pelo seu interesse. Pelo trabalho de ler e de responder. Já percebi que é árbitro e devo dizer que embora eu seja de facto temperamental, eu acho que um árbitro é sempre uma pessoa corajosa, e que muitas vezes, tenho vergonha de algumas atitudes "a quente". Mas quando eu deixo sair a bola e vai fora e marcam dentro, fico exasperada.enfim... Há 20 anos eu apitei um jogo de alunos contra professores no Gil Vicente e fiz uma promessa de nunca mais apitar nenhum jogo, de tão mau que foi. Só quebrei no ano passado, nos torneios de praia de carcavelos. Obrigada pelos esclarecimentos. Só ainda não consigo perceber por que razão nos jogos do Inatel há sempre 2 árbitros e nos nossos nunca. Provavelmente uma questão de pagamentos. Com 2 árbitros, tenho a certeza que tudo correria melhor. E já agora aproveitando a embalagem, seria bom convocarem árbitros de fora para apitar nas Caldas, em Portimão e em todos os sítios onde são sempre os mesmos. É muito mau para os árbitros, que estão pressionadíssimos e para a justiça desportiva.
ResponderEliminarEu defenderia para os escalões de formação uma competição até menos competitiva, onde os resultados passassem também por avaliação de conduta, por situações de arbitragem e todas as situações que formassem o atleta como um ser humano e não como um máquina de fazer pontos. Há tempo para os pontos e vitórias e derrotas mais tarde, talvez em juniores. Até porque na ânsia de ganhar campeonatos, poder-se-á hipotecar, por diversas razões, a possibilidade dos atletas se tornarem atletas de alta competição. Brincar, ser formado em valores fundamentais, passar pelas diversas funções associadas ao jogo, especialmente pela de árbitro era fundamental. Por isso seria bom que, além das equipas terem de apresentar árbitros, estes tivessem que pertencer a escalões de formação do clube. Mas neste caso, também o sistema competitivo teria que mudar. dificilmente se mudará esta cultura dos campeõe (zinhos) e de competição desenfreada. Mas é um caso a pensar... um outro sistema não apenas baseado nos pontos, ou golos, ou o que for, serviria também para "educar" os pais, que são muitas vezes o grande problema quando se pretende inculcar valores que vão para além da vitória. O professor Jorge Adelino, certa vez em conversa comigo, falou destas questões da mesma forma. Espero que ele consiga pôr em prática algumas ideias.
Obrigada pelos votos de boa sorte. Sinceramente, a grande recompensa para nós, depois de uma época excessivamente irregular é a possibilidade de jogarmos mais e de estarmos juntas. Para mim, que mais ano menos ano terei mesmo de deixar (não antes do 50, certamente!), é um privilégio poder jogar mais um jogo. E peço desculpa por todos os acessos de fúria, os passados e certamente (esperemos que não...) os futuros. Não é nada pessoal, é só uma frustração imensa quando um árbitro erra. Mas continuo a trabalhar no controlo dessas emoções... eh ehe heh
Bom, eu já estou afastado da arbitragem mas ser árbitro não é uma tarefa fácil. Supostamente árbitro é a pessoa que aplica as regras de um jogo, não a pessoa na qual tudo se foca. Às vezes é complicado separar as coisas porque os árbitros podem errar 3, 4, 5, 10 vezes num jogo, mas também temos de ver que os jogadores cometem muitos mais! E há momentos em que pensamos "vamos desistir desta porcaria toda" ou "que vontade de dar o apito a esta gente e trocar de lugar para verem como é". Mas sempre vamos continuando...
ResponderEliminarNo INATEL há sempre 2 árbitros porque os jogos são bastante menos, ninguém fica a dever e as pessoas jogam mais por gosto do que pela sede da vitória. No sistema abitual já pagam tarde e a más horas, se fossem mais árbitros mais tarde pagariam (além de que os custos para os clubes seria maior)!
Dentro da arbitragem também se fala muito do esquema de provas nos escalões de formação e todos concordamos numa coisa: os miúdos têm de jogar e jogar, não podem ficar parados em casa a engordar à frente da TV ou da Playstation. Mas isso é muito global e dá pano para mangas.
Pedidos de desculpa aceites sobre os acessos de fúria passados (que comigo foram alguns), mas o que lá vai lá vai!! ;)
Obrigada Ana :D
ResponderEliminarBem, gostava muito de saber quem é. Sobretudo se foi uma das vítimas do meu temperamento... O meu mail é carlafilomenasilva@gmail.com.
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